Recentemente, voltamos mais uma vez às terras glaciais. Dois anos após nossa primeira expedição pelo Ártico, desta vez para ir ainda mais ao norte. O destino: um dos lugares habitados mais remotos do planeta.

Foram quase sete dias desbravando o arquipélago de Svalbard, território sob soberania norueguesa, mas submetido a um regime administrativo bastante singular. Entre as curiosidades do local, está o fato de que, para voar de Oslo até Longyearbyen — a principal cidade do arquipélago — é necessário passar por controle de passaporte e alfândega, como em qualquer voo internacional.

Svalbard também é um dos poucos lugares do mundo onde é possível viver e trabalhar sem a necessidade de visto ou autorização específica. Talvez uma forma de atrair pessoas dispostas a enfrentar os rigorosos invernos locais, quando o sol desaparece por meses e as temperaturas frequentemente ultrapassam os 30 graus negativos.

Longyearbyen possui uma estrutura surpreendente para um lugar tão isolado. Hoje, sua economia gira principalmente em torno do turismo. Com alguns comércios, poucos hotéis, restaurantes, um pub e cerca de 3 mil habitantes permanentes, é dali que partem as principais expedições pela região — inclusive a nossa.

Nosso grupo era formado por 10 brasileiros, muitos deles marinheiros de primeira viagem, acompanhados por experientes guias locais. Após um briefing sobre as roupas técnicas, o trajeto, as motos de neve e os procedimentos de deslocamento em grupo, partimos para nossa primeira grande travessia.

Foram impressionantes 8 horas e 50 minutos de deslocamento, acumulando cerca de 900 metros de ganho de altitude. No topo do glaciar, você percorre verdadeiras avenidas de neve, com 4 ou 5 quilômetros de largura para cada lado, guiado apenas pelo GPS do líder da expedição.

O clima muda rapidamente. Ventos de até 30 km/h podem transformar a paisagem em um imenso vazio branco. Surge então o chamado “whiteout”: você perde a percepção de velocidade, horizonte e direção. O rosto começa a congelar e o único pensamento é que a descida chegue logo.

A liberdade proporcionada pelas motos de neve é indescritível e certamente foi um dos grandes destaques da jornada. Outro momento marcante foi a chegada a Pyramiden.

Construída pela antiga União Soviética ao longo do século XX, a cidade tinha dois objetivos: sustentar a exploração de carvão da região e servir como uma vitrine da utopia socialista. Com o colapso do regime soviético, a cidade também entrou em declínio. Em 1998, seus habitantes tiveram poucas semanas para abandonar suas casas e levar apenas o que conseguiam carregar. A cidade foi fechada e permanece praticamente congelada no tempo até hoje.

Caminhar por Pyramiden é como visitar uma cápsula do tempo. Objetos, edifícios e vestígios do cotidiano permanecem preservados, guardando a memória de uma comunidade que viveu isolada em um dos ambientes mais extremos e inóspitos do planeta.

Nosso plano é voltar em 2027, levando novos aventureiros conosco. Se você quiser fazer parte dessa experiência e descobrir mais detalhes sobre a expedição, clique aqui.